Ao jovem escritor
Em algum poema antigo disse, um dia, que palavras são sereias.
Sim, são. E não encontro outro motivo para escrever. Encantando, assim, a mim e a outros.
E hoje, enquanto escrevo, um jovem amanhece com o doce gosto de uma vitória escrita e falada. Admirada por um mundo inteiro. Estivesse eu em seu lugar, é certo que estaria despertando agora, por volta das 3h da tarde, com a ressaca do grande baile, da champanhe, dos cigarros. Ressoaria em meus ouvidos o eco de minhas próprias palavras, pronunciadas horas antes pelo primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.
Estando ele em seu lugar, não creio que seu despertar tenha sido muito diferente.
Hoje, Jon Favreau é um nome impresso em jornais do mundo todo; circula por e-mails, blogs, bocas e mentes das pessoas que formam a minha, a sua, opinião. Admiram-se, como eu, com o seu talento; exaltam, como eu, a sua história; aplaudem, como eu, sua coragem ao abordar um certo senador Barack e sugerir-lhe que excluísse uma frase de seu discurso.
Uma bela história, de fato, encontrada em diversos sites por quem se interessar.
No entanto, volto ao tema: a linda história desse jovem só tornou-se história graças ao seu domínio sobre…sereias.
Um homem que crê dominar sereias é um tolo. Podemos cantar com elas, mas estaremos, ainda assim, tão ou mais encantados quanto todos os outros que nos escutam.
Caro Favreau, o encanto é inevitável, o talento deve ser expresso, mas não se engane: das sereias que cantas agora serás herdeiro e servo amanhã.





