Mensagem aos peixes
O avião da minha flor no rio se afogou. Mas, Deus, como saber se ela estava mesmo lá? Se não teve overbooking, se a mala de rodinhas não enguiçou ou se o sono dos justos não lhe atrasou?
– Não se sabe, menino, e a vida segue aqui no chão.
Buscas, salvamento, caixa-preta. Tudo isso são palavras dos jornais, as minhas vão em outra direção.
Enviei um último recado, para lhe recordar de quanto a quero, sem saber se a doce fêmea minhas palavras pôde ler. E me peguei num devaneio tão moderno quanto absurdo que perguntava se a celulares submersos meus lamentos chegariam.
Não sei. O telemarketing tampouco sabe e agora não mais importa.
Minhas palavras eu grifei, meus sentimentos estão gravados e se a flor não pôde ler, ao menos aos peixes chegaria meu sofrer.






Ai meu Deus, o texto é lindo, como sempre. Mas eu, fiquei preocupada e com dúvida. Seria verdade?
Um bjo.
É uma meia verdade, mas ninguém morreu…