Mensagem aos peixes

O avião da minha flor no rio se afogou. Mas, Deus, como saber se ela estava mesmo lá? Se não teve overbooking, se a mala de rodinhas não enguiçou ou se o sono dos justos não lhe atrasou?

– Não se sabe, menino, e a vida segue aqui no chão.

Buscas, salvamento, caixa-preta. Tudo isso são palavras dos jornais, as minhas vão em outra direção.

Enviei um último recado, para lhe recordar de quanto a quero, sem saber se a doce fêmea minhas palavras pôde ler. E me peguei num devaneio tão moderno quanto absurdo que perguntava se a celulares submersos meus lamentos chegariam.

Não sei. O telemarketing tampouco sabe e agora não mais importa.

Minhas palavras eu grifei, meus sentimentos estão gravados e se a flor não pôde ler, ao menos aos peixes chegaria meu sofrer.

~ por Frederico Duarte em março 17, 2009.

2 Respostas to “Mensagem aos peixes”

  1. Ai meu Deus, o texto é lindo, como sempre. Mas eu, fiquei preocupada e com dúvida. Seria verdade?

    Um bjo.

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